Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Ricardo Jorge Claudino

Escritor, poeta de poemas e pensante

Escritor, poeta de poemas e pensante

Ricardo Jorge Claudino

11
Jan21

Umm Gazala

ricardojorgeclaudino
(Poema do livro "A Cor Do Tempo")
 
Medievalmente vi
uma fortaleza no cume
de uma encosta dourada
que desde a estrada
me fez quedar ali.
 
O sistema de coordenadas
além apontava:
Hoje Espanha,
antes o limite da Lusitânia,
8 milhas a sul do Guadiana.
 
Parei o tempo;
que bom ficar no presente
enquanto o cheiro das searas
me contam histórias raras
desta gente.
 
Há uma lenda que cita
Viriato, chefe dos Lusitanos;
deixou aqui a sua vida,
numa batalha só de ida,
contra os Romanos.
.
Do guerreiro lendário
não se conhece verdade,
mas vou lançar um boato:
A metáfora da sua morte
foi cair de amores por esta beldade.
 

138067399_859211621509540_2458987472764114378_o.jp

 

08
Jan21

Vertiginosa vontade

ricardojorgeclaudino

Raros pontos altos 

tem o Alentejo; mas

sempre que me 

posiciono no topo

de um deles, sinto

a vertiginosa vontade

de gritar: daqui eu vejo

toda a grandeza do mundo!

 

É preciso pensar que existe mais;

se não sairmos do nosso lugar

não podemos esperar nada

e não sabemos como

caminhar,

sonhar

ou até mesmo, voar!

01
Jan21

Esperança

ricardojorgeclaudino

Nascem flores no céu

sempre que a terra chove.

A água cai torrencial e

mata a sede dos anjos,

pinta as nuvens de verde

e evapora a fraca descrença.

 

A linha no horizonte

reflecte um sopro de luz;

todos sustentam a hipótese

sobre o regresso dos que sonham ter

as nuvens no céu e as flores na terra.

 

E cheios de esperança vão

os que ousaram criar

o novo mundo.

11
Dez20

Não há melhor lugar

ricardojorgeclaudino

Não há melhor lugar
senão aquele onde o tempo
caminha sem nunca chegar,
onde o céu abraça a luz
e onde a terra é da cor
dos olhos de quem a vê.

Não há nada melhor
do que ter simplesmente um lugar.

Pode estar vazio de gente,
abundante em memórias
e em ruas desocupadas;
mas quando se encontra
um lugar assim,
apenas o amor é
motivo de regressar
para sempre aqui.

69730323_505869170177122_3282439330177482752_o.jpg

 

20
Nov20

Ó Sol que raias p’la manhã

ricardojorgeclaudino

Ó Sol que raias p’la manhã cedinho,

aceita estas nossas graças, 

por mais um dia com saúde 

e aquece o nosso caminho.

 

Alimenta a terra cultivada, 

mas tem avondo com a tua força,

não nos leves tanta água, 

e apoia a nossa empreitada. 

 

Quando o meio dia bater 

e alcançares o teu esplendor, 

lembra-te que a teu redor 

há o suor que nos tenta deter.

 

Mesmo com uma ou duas insolações,

mesmo com a sola das botas a ferver,

podemos confiar nas intenções

que movem o teu ser. 

 

Enquanto a noite cai 

fazes sempre do mesmo jeito:

deslumbras os casais apaixonados,

aconchegas quem esteve do teu lado,

e deixas a promessa de um amanhã

trazido por inteiro.

23
Out20

A sombra e o chaparro

ricardojorgeclaudino

A sombra do vento

cai sobre o chaparro;

fico com a sensação

de que o calor, exausto,

se deu por vencido.

Apenas aqui me sento

porque um alentejano

só se senta para pensar.

 

O vento sopra

e a sombra abraça-me.

 

Penso em negar-lhe o momento;

atroz este meu pensamento

que espera sempre mais

de quem dá menos.

 

Talvez tenha sido uma má escolha;

— mea-culpa,

há mais chaparros nesta terra e

as escolhas passam a ser histórias

(e as histórias, um dia, serão vida).

Mas aqui, e agora:

só me apetece pensar.

 

Suavemente, assim como um sopro

que acalenta os ramos deste chaparro,

o erro faz-se soar;

desde a minha própria sombra

escuto a voz que me quer guiar.

 

É o vento,

é a terra,

é a natureza,

é o amarelo,

é a luz e a penumbra

e é, também, este chaparro.

 

Graças à desertificação deste lugar

os meus olhos desenham uma planície sem obstáculos.

Não há prédios, casas, ruas ou estradas;

não há pessoas, carros, caos ou nada.

 

Na verdade,

sei que anda por aí um pastor;

apesar de não o vislumbrar,

o som cintilante dos chocalhos

dança ao ritmo do cajado que

solenemente bate no chão.

 

Como é aconchegante estar rodeado de nada!

Sem paredes, sem ouvidos,

— só estar aqui me basta.

 

copy_of_copy_of_copy_of_copy_of_cronistas_ta_80.pn

Fotografia de Daniel Janeiro

12
Out20

Prémio Poesia - A Cor Do Tempo

ricardojorgeclaudino

No sábado dia 10 de Outubro decorreu a 2ª Gala dos Autores da editora Cordel d' Prata.

Não poderia estar mais feliz por ser galardoado na categoria de Poesia!

Para além da felicidade do momento e de todo o sentimento de gratidão, o que mais posso dar é graças à vida e a todos os leitores que votaram na obra "A Cor Do Tempo".

121306490_792863321477704_4958646311380223443_o.jp

O livro "A Cor Do Tempo" encontra-se disponível nas livrarias Bertrand, Wook e Cordel D' Prata.

09
Out20

Interior

ricardojorgeclaudino

A família está toda reunida em volta da braseira

que quente vai soprando a fria noite de lua cheia.

Enquanto uns conversam outros beliscam o pão,

o toucinho, o queijo e o vinho; são onze e meia

e juntos celebram o inverno que quis ser verão.

 

Enquanto o ar quente sobe

a braseira tenta acompanhar o calor da conversa.

 

Vão chegando do trabalho, cada um a seu ritmo;

penduram os casacos nas cadeiras vagas

e rápido procuram vaga na roda das conversas.

Se público houvesse, nada inteirava.

 

Falam alto um português distante,

trocam a faca pelo garfo e o garfo pelas mãos,

não trocam de prato quando vem a fruta

e dizem que o amor é o mais importante.

 

— Que estranho se vive no «interior».

maxresdefault_35.jpg

 

04
Out20

Casa no Campo

ricardojorgeclaudino

És sinónimo de paz 
e do cante dos passarinhos. 

Só te procuram 
para recarregar energias 
que a azáfama esgotou.

A dor de quem te procura 
não supera a do teu silêncio 
que outrora foi ruído. 

Entre tantas chegadas felizes 
e partidas apressadas 
só te resta esperar 
por alguém que queira ficar. 

11
Set20

Ser casa

ricardojorgeclaudino

Tenho duas casas paralelas
aconchegando-me em tempos paralelos;
é como se uma estivesse abraçando o céu
e a outra beijando raízes profundas na terra.
Na linha ténue desenhada pelo horizonte
quase que ambas se tocam, mas o quase
é algo que não chegou a ser; é a miragem
que relança questões para além do incerto.
Bem sei que sou a perpendicularidade
entre cada uma delas. Por isso fecho os olhos,
estendo os braços, e com uma casa de cada lado
deixo que os caminhos sejam traçados
nas linhas escritas por cada passo,
por cada enlace e por cada momento.

monum_37_5579612334ee3b883cf7ef.jpg

Imagem de montesdoalentejo.blogspot.com

Mais sobre mim

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Direitos

Todos os textos e imagens são direitos autorais de Ricardo Jorge Claudino.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D