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Ricardo Jorge Claudino

Escritor, poeta de poemas e pensante

Escritor, poeta de poemas e pensante

Ricardo Jorge Claudino

16
Out20

Para além do Tejo

ricardojorgeclaudino

(entre a batalha de Ourique e a chegada a Calecute)

 

A sul do Tejo

fica a terra que a norte

se via muito para além

do tempo.

 

A jovem nação,

refém entre vales e serras,

por fim avista a luz do horizonte:

— lonjura de um sonho infinito!

 

Imenso latifúndio sem relevos

recompensa para lá do rio;

marcham os portucalenses

por estradas de fastio.

 

Parecem lírios caminhantes,

faces firmes escondem a roxa fraqueza;

cavaleiros a galope re-conquistam o ar

que agora brando se faz respirar.

 

Por tamanha sorte,

pela expansão do território a sul,

surge a lição derradeira:

— que pelo mar se inicie a descoberta

de uma vida inteira!

 

Caravelas extravagantes em curiosidade,

herança viva do Alentejo;

fosse o rio o mar e Ourique Calecute

e haveria mais esperança para além

do nosso olhar.

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12
Out20

Prémio Poesia - A Cor Do Tempo

ricardojorgeclaudino

No sábado dia 10 de Outubro decorreu a 2ª Gala dos Autores da editora Cordel d' Prata.

Não poderia estar mais feliz por ser galardoado na categoria de Poesia!

Para além da felicidade do momento e de todo o sentimento de gratidão, o que mais posso dar é graças à vida e a todos os leitores que votaram na obra "A Cor Do Tempo".

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O livro "A Cor Do Tempo" encontra-se disponível nas livrarias Bertrand, Wook e Cordel D' Prata.

09
Out20

Interior

ricardojorgeclaudino

A família está toda reunida em volta da braseira

que quente vai soprando a fria noite de lua cheia.

Enquanto uns conversam outros beliscam o pão,

o toucinho, o queijo e o vinho; são onze e meia

e juntos celebram o inverno que quis ser verão.

 

Enquanto o ar quente sobe

a braseira tenta acompanhar o calor da conversa.

 

Vão chegando do trabalho, cada um a seu ritmo;

penduram os casacos nas cadeiras vagas

e rápido procuram vaga na roda das conversas.

Se público houvesse, nada inteirava.

 

Falam alto um português distante,

trocam a faca pelo garfo e o garfo pelas mãos,

não trocam de prato quando vem a fruta

e dizem que o amor é o mais importante.

 

— Que estranho se vive no «interior».

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04
Out20

Casa no Campo

ricardojorgeclaudino

És sinónimo de paz 
e do cante dos passarinhos. 

Só te procuram 
para recarregar energias 
que a azáfama esgotou.

A dor de quem te procura 
não supera a do teu silêncio 
que outrora foi ruído. 

Entre tantas chegadas felizes 
e partidas apressadas 
só te resta esperar 
por alguém que queira ficar. 

03
Out20

Ténue Planície

ricardojorgeclaudino

— A vida podia ser apenas

estar sentado admirando a planície;

Cheirar o campo,

olhar um malmequer

e louvar o horizonte.

A vida podia ser apenas a vida,

sem a tentação de arrancar pétalas

em busca de respostas já sabidas.

Quem tem o direito de matar

lentamente uma flor?

Esperar que o seu último suspiro

seja um «bem-me-quer»?!

 

Prefiro estar sentado

e deixar-me admirar

pelo bem ou pelo mal que vier.

18
Set20

As voltas de um ciclo

ricardojorgeclaudino

I - 1960’s


O Alentejo é uma imensidão de gente.
Do litoral ao interior,
em cada casa, em cada aldeia,
há vida que canta alegre e arduamente.


A grande metrópole inveja a simplicidade.
Os feriados de cada terra
dançam até de madrugada,
no baile e na festa celebra-se a felicidade.


II - 1980’s

O Alentejo ainda é uma imensidão de gente.
Esta gente faz planos
em prol da terra mãe,
a mesma que um dia brotou a sua semente.


A grande metrópole ainda inveja a simplicidade.
Cavaleiro citadino de espada na mão
deseja trespassar a alma do aldeão,
falha o coração, regressa à cidade.


III - 1990’s

O Alentejo começa a perder gente.
A tortura dos mais velhos
é ver os novos abalarem lentamente;
ninguém nota, pouco se sabe, tudo se sente.


A grande metrópole não inveja a simplicidade.
Tem um número invejável de soldados,
cansados, desmoralizados;
erra ao pensar que o número faz a totalidade.


IV - 2020’s


O ciclo desenha o progresso;
desconhece-se o ponto inicial,
o fim é temporário,
certo é o nosso regresso.

16
Set20

Poemas para a hora de ponta - Joaquim Saial

ricardojorgeclaudino

Hoje decidi escrever uma publicação diferente, sem falar sobre mim ou sobre os meus textos.

Hoje tirei o dia para falar do livro de poesia de Joaquim Saial - "Poemas para a hora de ponta", o qual tive o prazer de ler e reler.

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O livro é composto por 40 peças (poemas) que contêm muito "dramatistmo, humor e sarcasmo". É um livro que vale pelo seu todo e isso, para mim, é o mesmo de dizer que começo a leitura na primeira página, desligo-me do exterior, num ápice chego à última palavra do livro, e desconheço quanto tempo passou. Assim são ou deveriam de ser os minutos de uma hora de ponta.

Bem sei que é muito redutor escolher apenas um excerto do livro para vos mostrar, mas aqui vai:

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SINOPSE

“Poemas para a hora de ponta” apresenta-nos 40 peças que oscilam entre o documental e o fantástico, lirismo discreto e momentos de dramatismo, humor e sarcasmo. É num antigo e assumido gosto do autor pelos textos intensamente americanos de Sam Shepard (sobretudo da sua poesia) e na poética da música (Dylan, Neil Young…), para além da inspiração oferecida por portugueses como Mário-Henrique Leiria, que reside a origem desta variada e sedutora panóplia de produções.

A ode primeira, que faz jus ao título do livro, é acertada abertura para uma poesia de índole urbana (algo lisboeta) em que o autor, uma vez por outra, surge como narrador. Porém, percebe-se que prefere apresentar ao leitor a maior parte das peças como anónimos painéis de fruição, em registo quase cinematográfico, que prendem e fascinam.

Os notáveis desenhos de João Ribeiro entrelaçam-se magistralmente no universo poético que Joaquim Saial nos traz, fazendo desta uma obra inesperada e assaz convidativa, afinal passível de ser lida a qualquer hora… até na hora de ponta.

 

Caso esta obra desperte o vosso interesse, aqui deixo o link do Livro disponível no site da WOOK.

 

11
Set20

Ser casa

ricardojorgeclaudino

Tenho duas casas paralelas
aconchegando-me em tempos paralelos;
é como se uma estivesse abraçando o céu
e a outra beijando raízes profundas na terra.
Na linha ténue desenhada pelo horizonte
quase que ambas se tocam, mas o quase
é algo que não chegou a ser; é a miragem
que relança questões para além do incerto.
Bem sei que sou a perpendicularidade
entre cada uma delas. Por isso fecho os olhos,
estendo os braços, e com uma casa de cada lado
deixo que os caminhos sejam traçados
nas linhas escritas por cada passo,
por cada enlace e por cada momento.

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Imagem de montesdoalentejo.blogspot.com

10
Set20

Sessão de autógrafos - A Cor Do Tempo

ricardojorgeclaudino

Ricardo Jorge Claudino, o poeta que também é programador informático, acaba de lançar o seu primeiro livro intitulado “A Cor Do Tempo” e vai estar este domingo, dia 13 de setembro, a partir das 14h, a autografar a sua obra na Feira do Livro de Lisboa, no stand B31 da editora Cordel d'Prata.


É o momento de descobrir qual a cor do tempo e só a poesia pode reflectir sobre este tema. São 60 poemas inquietantes que resultam de pensamentos, questões intemporais e alguns episódios autobiográficos. A cor preenche o tempo de cada um de nós.” — Este é o repto que o autor pretende lançar ao leitor.


O autor faz uma viagem pelos três tempos — passado, presente e futuro — através de uma poesia bastante sensorial que vai muito além do bater de teclas no seu dia-a-dia como programador. Como fonte de inspiração há referências a elementos da natureza, pessoas e locais tão distintos como sua cidade natal (Faro), a origem dos seus antepassados (Reguengos de Monsaraz), locais onde estudou (Beja e Lisboa) e para onde emigrou (Amesterdão, Países Baixos).


Atualmente, o livro “A Cor Do Tempo” encontra-se disponível para venda na Feira do Livro de Lisboa, no stand B31 da editora Cordel d'Prata, ou através do website: https://cordeldeprata.pt/livraria/a-cor-do-tempo/ .

 

SINOPSE
Quando perguntam qual a minha cor preferida,
enrolo todas as palavras; e descrevo-a.

Gosto de me sentar à sombra do calor
e sentir o vento - mesmo que seja apenas
o assobio de um rouxinol apaixonado.
Gosto de me embeiçar pela imprevisibilidade
e contar quantas formigas correm
atrás de uma migalha de pão.
Gosto de passear pela calçada portuguesa
e pisar somente as pedras mais escuras,

as que formam um padrão.
Gosto de conduzir vagarosamente,
sobretudo em horas de ponta,
e escutar as buzinas de quem vive,
constantemente,
no «modo sobressalto».

Não sei se é daltonismo ou não
mas só distingo a cor do tempo.

 

28
Ago20

Reencontro

ricardojorgeclaudino

Conhecer lugares

conquistar o mundo

ser dono de tudo

descansar deitado

para sempre

— ser nada.

 

quando te olhei

estavas sentado — esperando —

e nesse gerúndio,

do teu lugar que é meu,

apenas me resta a chaminé

que perfumou para sempre

as ruas da minha infância.

 

Nada pode tirar

o que a vida deu.

Pode-se ser feliz

onde nunca se foi.

 

Conhecer lugares, conhecer lugares e mais lugares!

A filosofia de um adulto tem como base a ganância;

por isso os melhores filósofos são as crianças.

 

Ser um adulto ganancioso

esperando acabar no lugar

que sempre me conheceu.

reencontro.pngImagem de i.pinimg.com

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