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Ricardo Jorge Claudino

Escritor, poeta de poemas e pensante

Escritor, poeta de poemas e pensante

Ricardo Jorge Claudino

06
Fev20

Espelho

ricardojorgeclaudino

Neste lago de infinitas polegadas,

peço explicações a todas as reflexões.

 

Foi por escutá-lo que fiquei a conhecer

as suas ondas ténues falantes,

formadas de gota em gota,

tal como humanos se formam

de palavra em palavra:

 

Somos um espelho,

reflectimos nos outros

o que eles reflectem em nós.

 

Quão infinitamente conhecedores

são os reflexos que me observam?!

Que posso eu reflectir 

como sinal de agradecimento?!

 

Há retóricas que descobrem 

uma versão melhor de nós próprios.

Reflectirei.

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04
Fev20

Só, mas bem acompanhado

ricardojorgeclaudino

Observa este pôr do sol;

o melhor que vimos

até hoje.

 

Avisa-me com exatidão

sobre a chegada do momento

que merece ser capturado

em prol desta recordação.

 

Guardá-lo

seria a melhor desculpa

para que haja futuro

− e para mais tarde o recordar.

 

Explica-me, por favor, 

como esse teu alento

tão efémero quanto o vento

criou no céu

aquelas manchas de vapor?

 

Deus tirou-me o momento

para que na penumbra 

o pudesse contemplar

e tornar-me visível

aos olhos 

de quem me crê.

 

Naquele instante não te quis entender

mas continuei a acreditar em ti.

 

Daqui eu sei

qu’este horizonte é tela pintada 

pelas tuas mãos frias,

tons quentes,

maresias.

 

Tiro mais uma fotografia 

− a última do dia,

e espero que renasças

para te voltar a eternizar.

 

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17
Jan20

Poema SEGREDO em destaque

ricardojorgeclaudino

Hoje o poema SEGREDO foi destacado no blog Gazeta de Poesia Inédita.
Um obrigado muito especial ao seu editor, José Pascoal!

 

SEGREDO

Eu e tu somos verdade
pelo meio de nós
corre um mundo perfeito
despido de cumplicidade.

No dia que formos mentira
continuaremos a ser verdade
a folha terá a nossa caligrafia
e as letras serão escritas
à nossa vontade.

Quando a tormenta se atormentar
cá estaremos de novo:
recompondo o mundo
decompondo a tempestade.

 

16
Jan20

Alcateias

ricardojorgeclaudino

No meu país
errar é coisa feia
é antónimo de progresso
é sinónimo de insucesso
e é homónimo de alcateia

Porque aqui não se pedem desculpas,
recitam-se verbos carregados de culpa
exoneram-se todas as primeiras pessoas 
- as do singular e as do plural 
intocáveis, tal como o uivo 
de um lobo solitário.

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