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Ricardo Jorge Claudino

Escritor, poeta de poemas e pensante

Escritor, poeta de poemas e pensante

Ricardo Jorge Claudino

09
Mar20

As oliveiras falam

ricardojorgeclaudino

As oliveiras falam através do tempo.

Não é por isso que as invejo;

é, sim, por terem passado 

por tanto ou tão pouco,

sem nunca moverem raízes.

 

Escuto-as

sem pressa de abalar.

 

Ramos milenares sustentam 

os mais atrevidos pássaros cantantes;

A mando de quem vieram 

para me agoirar?

 

Nesse instante 

o tempo faz-se. 

 

Percebo que tudo é parte da melodia.

Os pássaros, as galinhas, os perus, 

os cães, os porcos, os leitões, as ovelhas, 

nós e tu. 

 

Enquanto a vida acontece,

o vento embala as folhas pontiagudas 

e faz soar o toque que faltava. 

Melancolicamente escuto 

a mais harmoniosa sinfonia.

 

Pergunto-me,

são vozes intemporais?

são séculos e milénios imortais?

são histórias que os livros não nos contam?

são poesias?

 

Não preciso serrar um tronco e contar

os anos que descortinam a sua idade,

velhice não é experiência,

é apenas a sabedoria da efemeridade.

 

Por favor, traduzam-me 

as palavras sábias deste olival.

E rápido… 

antes que a música acabe,

antes que o tempo termine sem cor.

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06
Fev20

Espelho

ricardojorgeclaudino

Neste lago de infinitas polegadas,

peço explicações a todas as reflexões.

 

Foi por escutá-lo que fiquei a conhecer

as suas ondas ténues falantes,

formadas de gota em gota,

tal como humanos se formam

de palavra em palavra:

 

Somos um espelho,

reflectimos nos outros

o que eles reflectem em nós.

 

Quão infinitamente conhecedores

são os reflexos que me observam?!

Que posso eu reflectir 

como sinal de agradecimento?!

 

Há retóricas que descobrem 

uma versão melhor de nós próprios.

Reflectirei.

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04
Fev20

Só, mas bem acompanhado

ricardojorgeclaudino

Observa este pôr do sol;

o melhor que vimos

até hoje.

 

Avisa-me com exatidão

sobre a chegada do momento

que merece ser capturado

em prol desta recordação.

 

Guardá-lo

seria a melhor desculpa

para que haja futuro

− e para mais tarde o recordar.

 

Explica-me, por favor, 

como esse teu alento

tão efémero quanto o vento

criou no céu

aquelas manchas de vapor?

 

Deus tirou-me o momento

para que na penumbra 

o pudesse contemplar

e tornar-me visível

aos olhos 

de quem me crê.

 

Naquele instante não te quis entender

mas continuei a acreditar em ti.

 

Daqui eu sei

qu’este horizonte é tela pintada 

pelas tuas mãos frias,

tons quentes,

maresias.

 

Tiro mais uma fotografia 

− a última do dia,

e espero que renasças

para te voltar a eternizar.

 

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