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Ricardo Jorge Claudino

Escritor, poeta de poemas e pensante

Escritor, poeta de poemas e pensante

Ricardo Jorge Claudino

04
Jul20

Reguengos de Monsaraz

ricardojorgeclaudino

Todos os noticiários do país ditam o teu nome.

Ainda o jornalista vai a meio da sílaba "guen"

e eu já estou arrepiado, de olhos esbugalhados,

seguindo a origem do som.

 

Aumento o volume da televisão,

talvez na esperança de escutar a paz da natureza

que circunda o entrevistador e o entrevistado

junto à Praça da Liberdade.

 

Tanto para contar, nada para dizer.

Desde quando a ida do Sr. José ao mercado municipal

é notícia que se dê?

E as trinta e muitas olarias que hoje, tal como sempre,

moldam o tempo em barro de água?

E as estrelas que brilham para um dos céus

mais transparentes que pode haver?

E o monte fortificado que alimenta sua vaidade

no reflexo das águas do grande lago?

Segundo a lenda, quem edificou a igreja de São Marcos?

Há quantos mil anos foi elevada a rocha dos namorados?

 

Desde quando tudo isto é notícia que se dê?

21
Jun20

O lenço

ricardojorgeclaudino

O lenço preto na cabeça

não tem significado

apenas quer ser lembrado

com medo de quem se esqueça.

Ninguém merece perder;

merino negro, penumbra no cabelo.

Às pintas ou às cores é possível vê-lo

no labor do campo, ao amanhecer.

 

Sol abraça o lenço,

tez queimada pelo tempo,

beijo eterno momento.

16
Jun20

Aldeia

ricardojorgeclaudino

Vinte e cinco casas

três ruas

duas travessas

o largo da igreja

o sino que toca, de hora em hora,

descansa na madrugada silenciosa.

 

Há sons que caminham

pelas estradas não alcatroadas,

de terra batida, de calçada.

 

O eco desafia a velocidade do som

e repete-se, repete-se, repete-se

até que as velhinhas entendam

à segunda ou à terceira vez

a vida citadina dos seus filhos

que o sonho desfez.

 

Aqui o céu está mais perto da terra

— Tão perto, que a nossa voz se perde

por tão longe que quisemos ser.

31
Mai20

Ode ao Alentejo

ricardojorgeclaudino

Pela planície, pelas espigas, pelo céu que estende,

Pelos campos, pela luz, pelas casas de branca cal,

Pelo calor, pelos montes, pela sorte que depende,

Do barro que molda o pão, do cante patrimonial!

 

Pelas horas, pelo dia, pelos caminhos da história,

Pela monda, pelas ceifeiras, pelo sol que se levanta,

Pelos melros, pela perdiz, pelas asas da glória,

Quem eleva suas dores de orgulho se encanta!

 

— Ó paz; és silêncio na hora da calma,

És a voz altiva do chaparro cantante,

És a abençoada sombra no calor da alma.

 

— Ó gente; que suspira de amor verdadeiro,

Que ora perto ou distante vive com saudade,

De ter o Alentejo de novo, por inteiro.

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