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Ricardo Jorge Claudino

Escritor, poeta de poemas e pensante

Escritor, poeta de poemas e pensante

Ricardo Jorge Claudino

09
Ago20

Na ceifa, cantando

ricardojorgeclaudino

A ceifeira canta com sua branca tez,

alegre, no primeiro dia de labor;

canta mágoas fingidas sobre o tempo

só o futuro lhe concederá louvor.

 

O dia alto e o trigo iluminado

ecoam calor pelos campos fora;

pobre ceifeira que na ceifa cantando

lembra o amanhã, batalhas de outrora.

 

Vestes de cores floridas,

ar fresco, paisagem serena;

pobre ceifeira que na ceifa cantando

deu-lhe o sol, ficou morena.

 

Hoje, são as máquinas

que ceifam a seara herdada:

desta evolução que nos faz ser mais

 e ter a ceifeira para sempre recordada.

 

Podemos afirmar com grande à-vontade:

— Foi o cantar da ceifeira a razão

em haver tão próspera actualidade.

ceifeira.pngFotografia de Artur Pastor - "Ceifeira" (the Reaper) 1944-46 em br.pinterest.com

30
Jul20

O destino das estrelas

ricardojorgeclaudino

De noite,
pelas aldeias e pelos campos,
apagam-se as luzes
que dantes não existiam.

Daqui,
graças ao real escuro da noite,
há um reencontro
entre a minha pele
e a luz esbatida das estrelas
— que me falaram há milhṍes de anos-luz atrás.

Daqui,
onde as distâncias são intermináveis,
avisto um dos céus mais estrelados da Europa;
e deixo-me estar, calado mas atento,
à altura do meu insignificante tamanho.

Muito longe daqui,
onde as grandes cidades lampejam
como árvores de natal esquecidas no verão,
há gente com tudo
e há um céu cheio de nada.

Tal como nós,
as estrelas nada decidem sobre a sua nascença
mas após a sua existência
continuam a reluzir nos céus
para que aqui, hoje,
no futuro que foi delas,
as pudéssemos contemplar.

04
Jul20

Reguengos de Monsaraz

ricardojorgeclaudino

Todos os noticiários do país ditam o teu nome.

Ainda o jornalista vai a meio da sílaba "guen"

e eu já estou arrepiado, de olhos esbugalhados,

seguindo a origem do som.

 

Aumento o volume da televisão,

talvez na esperança de escutar a paz da natureza

que circunda o entrevistador e o entrevistado

junto à Praça da Liberdade.

 

Tanto para contar, nada para dizer.

Desde quando a ida do Sr. José ao mercado municipal

é notícia que se dê?

E as trinta e muitas olarias que hoje, tal como sempre,

moldam o tempo em barro de água?

E as estrelas que brilham para um dos céus

mais transparentes que pode haver?

E o monte fortificado que alimenta sua vaidade

no reflexo das águas do grande lago?

Segundo a lenda, quem edificou a igreja de São Marcos?

Há quantos mil anos foi elevada a rocha dos namorados?

 

Desde quando tudo isto é notícia que se dê?

21
Jun20

O lenço

ricardojorgeclaudino

O lenço preto na cabeça

não tem significado

apenas quer ser lembrado

com medo de quem se esqueça.

Ninguém merece perder;

merino negro, penumbra no cabelo.

Às pintas ou às cores é possível vê-lo

no labor do campo, ao amanhecer.

 

Sol abraça o lenço,

tez queimada pelo tempo,

beijo eterno momento.

16
Jun20

Aldeia

ricardojorgeclaudino

Vinte e cinco casas

três ruas

duas travessas

o largo da igreja

o sino que toca, de hora em hora,

descansa na madrugada silenciosa.

 

Há sons que caminham

pelas estradas não alcatroadas,

de terra batida, de calçada.

 

O eco desafia a velocidade do som

e repete-se, repete-se, repete-se

até que as velhinhas entendam

à segunda ou à terceira vez

a vida citadina dos seus filhos

que o sonho desfez.

 

Aqui o céu está mais perto da terra

— Tão perto, que a nossa voz se perde

por tão longe que quisemos ser.

31
Mai20

Ode ao Alentejo

ricardojorgeclaudino

Pela planície, pelas espigas, pelo céu que estende,

Pelos campos, pela luz, pelas casas de branca cal,

Pelo calor, pelos montes, pela sorte que depende,

Do barro que molda o pão, do cante patrimonial!

 

Pelas horas, pelo dia, pelos caminhos da história,

Pela monda, pelas ceifeiras, pelo sol que se levanta,

Pelos melros, pela perdiz, pelas asas da glória,

Quem eleva suas dores de orgulho se encanta!

 

— Ó paz; és silêncio na hora da calma,

És a voz altiva do chaparro cantante,

És a abençoada sombra no calor da alma.

 

— Ó gente; que suspira de amor verdadeiro,

Que ora perto ou distante vive com saudade,

De ter o Alentejo de novo, por inteiro.

23
Mai20

Poesia à sexta-feira - Tribuna do Alentejo

ricardojorgeclaudino

Olá a tod@s!

É com grande entusiasmo que informo que todas as sextas-feiras irei publicar um poema inédito na Tribuna do Alentejo.

Ontem, para começar, foi a vez do poema "As oliveiras falam".

Podem consultar na íntegra em https://tribunaalentejo.pt/artigos/oliveiras-falam

Página da Tribuna do Alentejo no Facebook: https://www.facebook.com/tribunaalentejo/

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03
Mai20

Dia da mãe

ricardojorgeclaudino

São rosas que se oferecem

em maio, para quem

rosas vida são,

nos ensinam e dão.

 

Fazem dos seus espinhos,

coração

e dos nossos caminhos,

seguros, pela sua mão.

 

Cheira a rosas,

neste campo aberto.

Que lindas são as rosas!

Além do faro, são formosas.

Que bom tê-las por perto!

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